“Vai ter lançamento de projeto-iniciativa-linda no Olabi e uma das Luluzinhas que mora em SP estará lá na linha de frente. Seria legal ter alguma representante do RJ cobrindo o acontecimento”. Foi assim que eu peguei a bola no ar e estou aqui, agora, matando no peito esse post para, quem sabe, fazer aquele golaço que o #pretalab merece.

Texto: Claudia Dedeski / Revisão: Lanika

Então este texto vai ser em dois momentos. Vamos lá!

Bem-vindas ao PretaLab

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia 17/03 foi o lançamento da PretaLab, projeto do coletivo-maker Olabi, em Botafogo. O objetivo principal da iniciativa é dar voz e visibilidade às mulheres negras e indígenas que contribuem, tanto dentro quanto fora de suas comunidades de atuação, para o cenário tecnológico do país.

O projeto tem duas frentes de atuação, quase simultâneas: mapear quem são e onde estão essas negras e indígenas que já sabemos que estão aí e, quase ao mesmo tempo, chamar outras meninas e mulheres que se identificam com a área de tecnologia, para que se apresentem e entrem na roda também!

Coordenada pela Silvana Bahia, diretora de projetos do Olabi, a equipe principal conta com diversas frentes e é muito representativa: Maria Eloisa, pesquisadora de Design de Moda na PUC/RJ; Maria Rita Casagrande, desenvolvedora (e nossa Luluzinha de SP); Viviane Rodrigues, jornalista; Vitória Lourenço, cientista social e residente do DataLab e Monique Evelle,  diretora de inspiração do Desabafo Social (dona da fala que está ressoando até agora aqui dentro: “queremos/devemos criar novos espaços ou finalmente ocupar os espaços já existentes?”).

Fica aqui o chamado: se você é ou conhece alguma menina ou mulher negra ou indígena que já trabalha com tecnologia ou deseja aprender ou trabalhar com tecnologia: o PretaLab está procurando vc!

Para saber mais informações de como participar do projeto, se apresentando ou indicando alguém, acesse o link: https://olabi.typeform.com/to/qe4tsA

Entenda como é experimentar na pele a diferença

Deste ponto em diante eu gostaria de pedir licença para falar de modo bastante íntimo sobre a minha experiência enquanto convidada.

Cheguei antes do horário marcado, então peguei um lugar logo na primeira fileira de cadeiras, de frente para o lugar onde a equipe da PretaLab sentaria.

Na medida em que o tempo foi passando, o salão foi enchendo. E enchendo. Quando dei por mim, estava lotado. Lotado de homens e mulheres negros. E quando eu dei por mim estava ali, sentada na primeira fila, uma das únicas pessoas brancas no local (os brancos cabiam talvez nos dedos de uma mão!).

Foi aí que começou a sensação que me rondou por toda a noite, até o momento de me despedir e ir embora: a sensação do estranhamento (!). Uma sensação desajeitada, como eu, ali, branca (ainda por cima dos olhos claros) no meio de tantos negros.

E acho que foi nesse ponto que a coisa transmutou: EU ESTAVA DE VERDADE SENTINDO NA PELE O QUE É OLHAR A MINHA VOLTA E NÃO ENCONTRAR OUTRO IGUAL A MIM!

É, em pleno século XXI, com todos os discursos, valores, compartilhamentos, textões… Eu nunca tinha realmente experimentado aquilo que tanto ouço falar. Sim, sei que somos irmãs na condição de mulheres dentro de uma cultura (ainda) machista. Mas o meu lugar não é semelhante ao de todas as negras que eu ali vi. Nessa noite no lançamento da PretaLab eu pude realmente sentir/saber o tão famoso “estar no lugar do outro”. E isso me tocou profundamente. Quando eu cheguei antes do horário marcado, eu era uma pessoa. Quando eu saí de lá, já não era mais.

E lembrando da Monique Evelle me pego pensando: mulheres, irmãs, negras, brancas ou indígenas, não precisamos criar novos espaços. Precisamos definitivamente ocupar os lugares que já são nossos por direito.

http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2017/03/27/pretalab-genero-e-raca-na-tecnologia/