A gente não aceita violência. Ponto

Campanha da ONU


A razão da blogagem coletiva de hoje é simples: não dá pra aceitar violência contra a mulher. Ponto. Enquanto o ditado diz “segure a sua cabrita porque meu bode tá solto” ou o homem acha que pode mandar na mulher, continuamos a ver casos estarrecedores de violência.
Por isso, o LuluzinhaCamp e as Blogueiras Feministas - somos irmãs – se juntaram para na véspera do Carnaval falar disso.
A lista de posts é longa. E vamos atualizar ao longo do dia. Leiam, comentem, compartilhem.

Hediondo: estupro coletivo, por Prix
Não podemos nos calar diante de tanta violência!Para que nenhuma mãe tenha que chorar a morte de uma filha…para que nenhuma mulher tenha seu corpo violado… quem silencia é conivente e coninvência é CRIME!]

Um crime hediondo como presente de aniversário, De Salto Alto
O plano não saiu como o previsto. Durante as violações sexuais, Michele, 29, e Isabela, 27, (duas das mulheres que foram agredidas) lutaram com os estupradores e os reconheceram: eram seus amigos e, pasmem, o ex cunhado de Isabela e o aniversariante. Por terem reconhecido os agressores, foram levadas da festa e mortas em seguida.

Horror: Estupro coletivo na Paraíba por Juliana Marotti
Eu estou completamente chocada, indignada, perplexa. E eu realmente espero que esses monstros sejam julgados e condenados aos 30 anos de prisão permitidos pela legislação brasileira.
E meu irmão que é advogado ainda diz que é injusto você acabar com a vida de uma pessoa deixando-a presa por 30 anos ou pelo resto da vida, por causa de um erro que ele cometeu. (…)
E, mais que tudo, espero que eles sejam julgados por uma JUIZA, porque homem nenhum consegue compreender quão sagrado seu corpo é para uma mulher.

Ser paga ou ser pega – a lógica da propriedade e o estupro de Queimadas, por Renata Corrêa
Choca saber que coletivamente esses homens resolveram estuprar essas mulheres. Que nenhum deles teve a consciência e o desejo de dar um basta nesse plano macabro antes que ele acontecesse. Choca, mas se a gente parar pra pensar nos crimes sexuais que são noticiados quase que diariamente, todos eles seguem o mesmo tipo de pensamento: mulheres não são pessoas. Mulheres são coisas e devem ser tratadas como tal.

Blogagem coletiva: Estupro não é presente!, por Elisa Mafra
Já está tudo errado aí, mas o que mais me choca e me assusta é que tudo isso foi obra de um cara que quis dar isso de presente para o irmão mais novo. Agora estupro é presente. O que houve com o mundo para chegarmos nisso, num ponto em que estuprar 6 mulheres é um presente para alguém querido?

Blogagem coletiva: Repúdio ao caso de estupro como presente de aniversário, por Lia de Lua
Não se passa um só dia sem que os jornais noticiem mais um femicídio. Sem contar todos aqueles que não são divulgados, as violências que não matam mas resultam em profundos ferimentos físicos e psicológicos, o exercício do poder tirânico de subjugar as mulheres moral, econômica, psicológica e fisicamente.

Choramos por vocês, mulheres da Paraíba, por Lucia Freitas
Enquanto isso a gente se arrepia ao pensar em mulheres sendo amarradas, vendadas, amordaçadas e estupradas em uma festa. De caso pensado. Ok, eles estão presos. A delegada que investiga o caso parece estar cumprindo seu papel lindamente. E as moças que sobreviveram? Como fica a vida delas?

Violência sexual e o horror, por Srta. Bia
Sabemos que vivemos numa sociedade em que as mulheres ainda são vistas como posse. Vivemos numa sociedade que ensina mulheres e cobra delas que não sejam estupradas, ao invés de dizer aos homens: não estupre! O estupro é um crime de poder e humilhação, de violação máxima do corpo. Sabemos de tudo isso. Porém, é espantoso que dez pessoas decidam promover um estupro coletivo.

Feliz aniversário, por Gabi Bianco
Este crime é muito, muito absurdo. É muito absurdo porque é inconcebível uma pessoa achar que pode dar um estupro de presente pra alguém. É absurdo porque todos os homens que estavam na festa sabiam o que ia acontecer. É absurdo porque a repercussão não chega aos pés do caso Eloá ou do BBB. É absurdo porque todos os dias mulheres são estupradas e não denunciam por medo. É absurdo porque não podemos aceitar uma violência como essa. É absurdo porque os caras que fizeram isso acreditaram que podiam estuprar simplesmente porque queriam. É absurdo. Ponto.

Mulher é gente, não presente, por Cynthia Semíramis
Esses casos são uma pequena amostra do festival de desgraças que a gente acompanha ao lidar com o tema de violência contra mulheres. Fica nítido que muitas pessoas ainda acham que mulher não tem direito de escolha, pois não entendem que mulher é gente. Tantos séculos tratando mulheres como coisas gerou uma cultura que ainda ignora a vontade das mulheres, continua tratando-as como coisas e faz o possível e o impossível para proteger os agressores, como se só eles fossem gente. Aí coloca-se a culpa na vítima (vide o comentário do policial que resultou nas Marchas das Vadias), que perdeu o status de gente pra se tornar uma coisa à mercê do agressor. Ainda temos um longo caminho pra reconhecer efetivamente mulheres como gente.

Quando a dor do outro vira diversão, por Niara de Oliveira
Quando o ser humano perde a capacidade (ou não tem) de se comover e compadecer da dor de seu semelhante não há muito mais o que fazer. Não há razão a ser chamada. Não há argumentação a ser feita. E aqui está o ponto chave desse horror. As mulheres serem consideradas objetos, coisas, que servem apenas para satisfazerem os desejos mais sórdidos e absurdos dos homens, que nos enxergam como seres de segunda categoria.

Só esclarecendo, estupro não é presente, por Nary
É um conjunto. É a maldade humana. É triste, revoltante… E dói em cada mulher que luta por ser respeitada. Não ter sua intimidade invadida, seu direito de escolha destroçado.
Dói em um nível que vai além do físico. Deve doer na moralidade de uma sociedade fria, que alimenta e permite que rapazes tão cruéis presenteiem dessa maneira.
E o pior. Dói saber que não foram os primeiros… E não serão os últimos.

Fim da humanidade, por Simone Miletic
Aí você me pergunta o que essas cenas tem em comum: pois na minha cabeça, julgue você exagerada ou não, elas tem em comum essa coisa de não se enxergar no outro. Aqueles homens não enxergavam a si mesmos naquelas mulheres e então elas se tornaram objetos, coisas a serem usadas para seu prazer.
Eles se vem como superiores à elas e a todos nós. Eles tem seu tanto de crueldade individual, mas tem seu tanto de acharem que a sociedade não punirá, de que a sociedade até aprova o que eles fizeram, afinal alguns dizem que a vítima do estupro na verdade é culpada, não é? Tem um tanto de machismo aqui, tem seu tanto de individualismo e muito, muito, de falta de humanidade.

Estupro não é fetiche, é crime, por B.
Não, isso não é uma obra do Marquês de Sade, tampouco se trata de uma simulação consentida da fantasia do estupro, isso foi uma cena real, um crime. E apesar dos detalhes sórdidos, é importante falar à exaustão sobre o assunto para que este, e outros crimes do gênero (aqui no RJ uma menina de 12 anos foi estuprada dentro de um coletivo), não caiam no esquecimento.

Gente acima do bem e do mal, por Ana Cláudia Bessa Os pais precisam cuidar melhor de seus filhos mas a sociedade precisa ajudar os pais a serem mais presentes em todas as classes sociais. (…) Estupro é crime e ponto final. Apenas acho que não podemos ignorar que precisamos melhorar os valores dados a homens e mulheres desde a infância.

Estupro coletivo não é presente: é crime organizado


Mulheres em choque. Este é o único jeito de descrever as nossas reações ao estupro coletivo que aconteceu na cidade de Queimadas, Paraíba, no dia 12 de fevereiro. Se o mundo ainda não acabou, por favor, encerrem as atividades agora.
A história é sórdida: um estupro coletivo oferecido como presente de aniversário de um irmão para o outro. Os dois irmãos que organizaram o evento teriam simulado um assalto, com a ajuda de outros homens, para violentar as mulheres convidadas, usando capuzes e máscaras de carnaval. Seis mulheres foram agredidas e estupradas. Duas delas, Michele Domingues da Silva (29 anos) e Isabela Pajussara Frazão Monteiro (27 anos), identificaram seus algozes e por isso foram assassinadas.

Michele e a professora Isabela (Foto: Reprodução/TV Paraíba)


Na tarde da quarta-feira (15), os sete homens presos por suspeita de participar dos estupros de seis mulheres e mortes de duas, foram transferidos para o presídio de segurança máxima PB1, localizado em João Pessoa. Além dos sete adultos, há três adolescentes detidos. Eles foram ouvidos e levados para o Lar do Garoto, abrigo provisório localizado na cidade de Lagoa Seca.
Claro que depois de noticiar a história a imprensa não levou a história à frente. Por isso, em conjunto com o Blogueiras Feministas, o LuluzinhaCamp faz questão de convocar: publique um texto em seu blog amanhã, dia 17 de fevereiro, para que esta história não seja esquecida. E para que todas as mulheres vítimas de violência ganhem justiça – e atendimento adequado.
Para saber mais:
Homens teriam planejado estupro coletivo como presente de aniversário na PB
Estupros em festa com duas mortes na PB foram planejados, diz delegada
Sete suspeitos de estupro coletivo chegam a presídio em João Pessoa
A Lola publicou texto também: http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2012/02/estupros-como-presente-de-aniversario.html

Moda e Carnaval

Estava pensando qual poderia ser uma boa fantasia de Carnaval para esse ano. E lembrei do quanto gosto de projetos como o blog Um ano sem Zara. Porque o divertido na moda não é mais ter tudo que está na moda, mas reinventar seu estilo todos os dias. Faltam poucos dias para o desafio da Jojo acabar. Ela se propôs a ficar 365 dias sem comprar roupas, sapatos e acessórios. Não foi fácil no início, mas é fato que ela se divertiu muito.

Então, para quem está em dúvida de transformar-se diariamente, aproveita a época do Carnaval e coloca a saia por cima do vestido. Transforma a saia em blusa. Coloca a blusa por cima do vestido. Dá um nó na lateral da camiseta preferida. E faça sua própria fantasia de carnaval.

Pegue todas essas ideias e olhe para seu guarda-roupa de outras maneiras. O ano começa depois do Carnaval, então corre para investir em mudança simples que fazem toda diferença. Estilo sei que você tem de sobra.

Bloco de Segunda 2011, Rio de Janeiro. Foto de William Kitizinger no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

É verão!

O verão está aí, com muito calor e chuvas pelo país. Há dias em que o clima está super convidativo para passeios a pé e outros em que tudo o que queremos é ficar em casa. Para animar seu verão trago diversas dicas espalhadas nos blogs de várias Luluzinhas. Você sempre pode encontrar várias surpresas nessa lista de blogs bem aí ao lado.

Foto de Patrick Caire no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Que tal cozinhar?

A Cozinha da Matilde da Leticia Massula tem diversas receitas para todos os gostos e paladares

E se o calor chegar que tal um sorvete estupendo de baunilha? Quem dá a receita é Monise Tonoli no Brigadeiro de Colher. Outra opção é um gelado de frutas, que a Patricia ensina no 1001 Dicas Práticas.

Mas se o que você quer é um doce daqueles bem safadinhos, a Amanda ensina a fazer cupcake de paçoca no Meleca na Cozinha.

Quel tal programar sua próxima viagem?

A Lina tem ótimas dicas sobre Paris no Conexão Paris.

Pensando em praia, que tal o Havaí? Lucia Malla conta tudo em Uma Malla pelo Mundo.

Que tal organizar a casa?

Lu Monte sempre tem muitas dicas práticas. O Desafio da Despensa parece ser uma boa forma de começar. Ela já fez o Desafio 50 Desapegos e agora tem um blog com várias dicas de organização: Mania de Organizar.

Que tal cuidar mais de você?

Uma boa dica pode ser um curso de pompoarismo, antiga técnica oriental derivada do tantra que proporciona maior controle sobre seu corpo, seu prazer e consequentemente, seus orgasmos. Corre lá no A Vida Secreta e confira!

Outra opção é trazer mais verde para perto de você. A Denise Rangel conta como está sendo ter uma árvore na varanda de um apartamento. E no blog dela você ainda encontra muitas dicas sobre ecologia, sustentabilidade e hortas para pequenos espaços.

Mulheres em Ação: Roller Derby

A primeira vez que ouvi falar em roller derby foi no filme “Garota Fantástica” (Whip it! 2009). Um esporte cheio de energia e atitude. Mulheres sobre patins com apelidos e figurinos divertidos. Não tem como não se empolgar.

O roller derby nasceu nos Estados Unidos por volta da década de 30 e chegou ao auge durante os anos 50. Em 2001, algumas mulheres do Texas decidiram reativar o esporte. A partir daí começou a se espalhar pelo mundo. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que em nosso eclético grupo das Luluzinhas há uma praticante de roller derby, a Dani Cruz do blog Mais Magenta.

As Ladies Of Hell Town gravando uma matéria pra MegaTV.

De acordo com a Dani, o roller derby é um esporte que toda mulher pode praticar. A idade mínima é 18 anos, mas na liga brasileira tem todas as idades. Gordas, altas, magras ou baixas não precisam ter receio. E você ainda escolhe um codinome e inventa uma personagem para tudo ficar mais divertido. A Dani faz parte do Ladies Of Hell Town de São Paulo. A primeira e maior liga do Brasil. Para quem é de outro estado, o site Roller Derby Brasil disponibiliza uma lista com as Ligas de Roller Derby pelo país. Para saber mais algumas coisas sobre o esporte conversei por email com a Dani e a Marina Velloso:

A Luluzinha Dani Cruz, a Magenta Madness 2.5g do Ladies Of Hell Town.

- Quando começou o roller derby no Brasil?

Marina: Em 2009, com a nossa liga Ladies of Hell Town, porém no ano de 2011 é que realmente houve o crescimento do esporte com a criação de mais ligas e cada vez mais participantes.

- Há uma estimativa de quantas mulheres praticam hoje no Brasil?

Marina: Hoje temos oficialmente 13 ligas cadastradas no roster mundial de ligas: Derby Roster. Acredito que temos mais de 150 pessoas envolvidas de alguma forma com o esporte.

- Como você começou a praticar roller derby?

Dani: Em 2009 eu assisti um filme, Whip It. Minha amiga e eu começamos a procurar se alguém já treinava aqui e encontramos as primeiras integrantes das Ladies (eram muito poucas na época, acho que cinco ou seis apenas!).

- Há algum preconceito que você enfrenta por causa do esporte?

Dani: Às vezes. Algumas pessoas (na maioria homens, na verdade) costumam achar que é um teatro, porque são ‘minas de shortinho’ que só jogam pra se mostrar. E não é! É um esporte, com regras e requisitos mínimos. Como boa derby girl, coloco quem fala essa besteira em seu devido lugar! Hahahaha

- Como você lida com os machucados decorrentes da prática do esporte?

Dani: Nos treinos nós aprendemos a minimizar os danos – a preferência é não cair, mas é inevitável em um esporte de contato sobre rodas então também aprendemos técnicas de queda e usamos todas as proteções. Quando alguém se lesiona, vai no hospital e faz o tratamento… Por isso é importante que todas nós tenhamos convênio médico, hehe. As derby girls cuidam muito umas das outras, a única vez em que alguém se machucou feio o treino parou e levamos ela pro hospital. As outras quedas, aprendemos a conviver! Levanta e continua :) Só não pode ter medo do chão! Na verdade, os hematomas são até um certo ‘orgulho’ pra gente. Adoramos mostrar nossos roxos gigantescos hehe

- Qual seu apelido no roller derby e por que o escolheu?

Dani: Meu derby name ainda está em aprovação no roster oficial, mas é Magenta Madness 2.5g. Eu amo rosa, meu blog chama Mais Magenta e Magenta Madness é o nome de uma cor de batom da MAC (que vem com 2.5g de produto heheh). Achei o nome ótimo pro roller derby, que tem toda essa coisa de ser bad girl e ser menininha ao mesmo tempo.

Facebook do Ladies Of Hell Town – Twitter: @rollerderbysp

Facebook do Roller Derby Brasil – Twitter: @RollerDerbyBras

A Dani convidou todas para conhecer e praticar roller derby. Pela empolgação vamos ter mais Luluzinhas arrasando sobre os patins em breve. Confira um vídeo da Vinyl Tv com as integrantes do Ladies Of Hell Town.

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