Lançamento #pretalab no Olabi

“Vai ter lançamento de projeto-iniciativa-linda no Olabi e uma das Luluzinhas que mora em SP estará lá na linha de frente. Seria legal ter alguma representante do RJ cobrindo o acontecimento”. Foi assim que eu peguei a bola no ar e estou aqui, agora, matando no peito esse post para, quem sabe, fazer aquele golaço que o #pretalab merece.

Texto: Claudia Dedeski / Revisão: Lanika

Então este texto vai ser em dois momentos. Vamos lá!

Bem-vindas ao PretaLab

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia 17/03 foi o lançamento da PretaLab, projeto do coletivo-maker Olabi, em Botafogo. O objetivo principal da iniciativa é dar voz e visibilidade às mulheres negras e indígenas que contribuem, tanto dentro quanto fora de suas comunidades de atuação, para o cenário tecnológico do país.

O projeto tem duas frentes de atuação, quase simultâneas: mapear quem são e onde estão essas negras e indígenas que já sabemos que estão aí e, quase ao mesmo tempo, chamar outras meninas e mulheres que se identificam com a área de tecnologia, para que se apresentem e entrem na roda também!

Coordenada pela Silvana Bahia, diretora de projetos do Olabi, a equipe principal conta com diversas frentes e é muito representativa: Maria Eloisa, pesquisadora de Design de Moda na PUC/RJ; Maria Rita Casagrande, desenvolvedora (e nossa Luluzinha de SP); Viviane Rodrigues, jornalista; Vitória Lourenço, cientista social e residente do DataLab e Monique Evelle,  diretora de inspiração do Desabafo Social (dona da fala que está ressoando até agora aqui dentro: “queremos/devemos criar novos espaços ou finalmente ocupar os espaços já existentes?”).

Fica aqui o chamado: se você é ou conhece alguma menina ou mulher negra ou indígena que já trabalha com tecnologia ou deseja aprender ou trabalhar com tecnologia: o PretaLab está procurando vc!

Para saber mais informações de como participar do projeto, se apresentando ou indicando alguém, acesse o link: https://olabi.typeform.com/to/qe4tsA

Entenda como é experimentar na pele a diferença

Deste ponto em diante eu gostaria de pedir licença para falar de modo bastante íntimo sobre a minha experiência enquanto convidada.

Cheguei antes do horário marcado, então peguei um lugar logo na primeira fileira de cadeiras, de frente para o lugar onde a equipe da PretaLab sentaria.

Na medida em que o tempo foi passando, o salão foi enchendo. E enchendo. Quando dei por mim, estava lotado. Lotado de homens e mulheres negros. E quando eu dei por mim estava ali, sentada na primeira fila, uma das únicas pessoas brancas no local (os brancos cabiam talvez nos dedos de uma mão!).

Foi aí que começou a sensação que me rondou por toda a noite, até o momento de me despedir e ir embora: a sensação do estranhamento (!). Uma sensação desajeitada, como eu, ali, branca (ainda por cima dos olhos claros) no meio de tantos negros.

E acho que foi nesse ponto que a coisa transmutou: EU ESTAVA DE VERDADE SENTINDO NA PELE O QUE É OLHAR A MINHA VOLTA E NÃO ENCONTRAR OUTRO IGUAL A MIM!

É, em pleno século XXI, com todos os discursos, valores, compartilhamentos, textões… Eu nunca tinha realmente experimentado aquilo que tanto ouço falar. Sim, sei que somos irmãs na condição de mulheres dentro de uma cultura (ainda) machista. Mas o meu lugar não é semelhante ao de todas as negras que eu ali vi. Nessa noite no lançamento da PretaLab eu pude realmente sentir/saber o tão famoso “estar no lugar do outro”. E isso me tocou profundamente. Quando eu cheguei antes do horário marcado, eu era uma pessoa. Quando eu saí de lá, já não era mais.

E lembrando da Monique Evelle me pego pensando: mulheres, irmãs, negras, brancas ou indígenas, não precisamos criar novos espaços. Precisamos definitivamente ocupar os lugares que já são nossos por direito.

http://agoraequesaoelas.blogfolha.uol.com.br/2017/03/27/pretalab-genero-e-raca-na-tecnologia/

Lançamento do documentário #euvocêtodasnós: conheça melhor as entrevistadas!

Revisão: Denise Rangel

#euvocêtodasnós teve sua pré-estreia dia 6, na Escola de Cinema Darcy Ribeiro (FOTOS DO EVENTO). Após o lançamento, além da transmissão no canal televisivo em horários diversos, o documentário está disponível no http://www.futuraplay.org/video/euvocetodasnos-euvocetodasnos/345304/

O filme mostra que a representatividade e o discurso podem se mover, renovar, transformar coletivos e indivíduos, grupos e ideologias diversas, sob um mesmo conceito antes tido como alienado do mundo e isolado dentro da academia.

O mesmo grupo de discussão se une nas ruas – passeatas contra estupros coletivos, a favor de direitos reprodutivos – somando 20 mil mulheres ou mais nas manifestações. A convergência digital se dá, não apenas mais nos bits. O que estava apenas dentro das mentes e expresso de forma a ter feedback limitado agora se faz público e inclui mulheres e homens solidários nas grandes cidades – e também índias, ciberativistas, mulheres que vivem no campo e em quilombos, pessoas que pensam na/em rede e além da rede sobre não apenas em igualdade, mas n/os processos de como tornar este devir ético e inclusivo. Por mim cada entrevistada mereceria um documentário!

O público presente na pré-estreia já demonstrava, de alguma forma, o que o documentário aponta: diversidade, e como ela é importante. Uma plateia equilibrada: homens e mulheres, negros e brancos de várias classes sociais. Professores, engenheiros, cineastas, escritores, makers, programadores, técnicos, profissionais do sexo, hackers – gente que trabalha com ciência, tecnologia, política e arte de todos os gêneros.

Quando vi este auditório senti entusiasmo ímpar – quantas vezes os negros vão a um evento e estão apenas eles lá, ou são a minoria? Quantas vezes organizadores dos eventos de ciências nos painéis batem o pé, e, apesar dos fatos, insistem que “não há palestrante mulher nesta área”? Lembrando que a maior parte da população é negra e mulher… Parabéns à produção por tomar este cuidado. São poucos os lugares que faço o teste do pescoço e tiram uma nota 10 com louvor tão retumbante.

Apenas ao vislumbrar este público percebe-se como os profissionais de todas as áreas devem valorizar e dar importância de forma concreta à diversidade e dar voz às competências reais que ali se encontram. Ninguém aguenta, e já não cabem mais festas de música black com uma minoria ínfima de negros presentes, ou eventos que discutam qualquer tópico referente às mulheres na política, pesquisa, saúde ou tecnologia sem a presença maciça delas participando também da liderança, nas palestras e mostrando os resultados das suas pesquisas.

De forma ágil, e como se fizéssemos um trajeto hipertextual entre páginas, vídeos, entrevistas, frames com edição rápida e de forma fragmentária, somos apresentados aos FEMINISMOS que se utilizam de ferramentas tecnológicas diversificadas de acordo com as mulheres – escrevendo; individualmente, em pequenos ou grandes grupos (alguns apenas virtuais, outros também presenciais); ou ainda com trabalho de base mais presencial, local e com menor aparição na internet.

O que converge em todas estas linhas de feminismo, alguns até com alguns posicionamentos e ideias opostos é como o direito de ir e vir para casa, escolhas profissionais, sexuais e até o direito de falar sobre isso são ameaçados, de início virtualmente, e a vontade de grandes grupos de alguns homens (e infelizmente com cumplicidade de algumas mulheres também – muitas por ignorância) que as protaginistas se calem, ao derrubar páginas e sites para que continuem impunes no seu cotidiano.

Se a ameaça pela internet não cala a mulher, iniciam as ofensas, calúnias, difamação, ameaças e violências físicas, assédio moral e sexual. E ,finalmente o discurso de ódio ao concretizar estas ameaças, batendo, violentando sexualmente e assassinando mulheres que tiveram a ousadia de querer apenas IGUALDADE – escolher uma profissão ou trabalho onde, apenas por ser mulher já, é excluída, desde o início da formação, pelos professores; uma vida sexual livre, como qualquer homem, sem ter que ser apontada e exposta de forma abjeta por isso; ter equanimidade no salário e oportunidades de ascensão profissional; direito de ir e vir para casa sem temer ser violentada ou assediada sexualmente, e até o direito mínimo de falar e ser ouvida (mansplaining).

AS MULHERES

Lo Res – canal Sapa À Tona no facebook e no youtube

5 sapatonas conversando com você sobre feminismo, política e lesbianidade!! Lo Res narra sua experiência e caminhos que tomou ao sair de um relacionamento tradicional, a separação e o mercado de trabalho excludente para quem é mãe.

Lúcia Freitas – mostra projetos no Ladybug 

Jornalista e blogueira. Trabalha com produção de conteúdo e educação. Faz digital coaching, seu jeito de ajudar as pessoas a usarem as ferramentas que estão à sua disposição no mundo digital. Organizou o LuluzinhaCamp e já fez outros eventos de/para internet. “Já disseram por aí que sou uma das 10 mulheres mais influentes aqui neste planeta no Brasil. Sou morena (apesar de 2/3 das minhas fotos online mostrarem uma loura), amo gatos e adoro gente. Meu canal preferido é o Twitter, mas estou lá no Instagram, no Snapchat, no YouTube, no Vimeo, no LinkedIn, no SlideShare…”

Larel Costa e Mari Lopes

Lésbicas separatistas e apresentam o espaço no Rio de Janeiro chamado Resiliência: local para eventos, bar, biblioteca, grupos de estudos, acolhimento para mulheres em situação de risco social

Rosa Luz – canal Barraco da Rosa  

Performer que discute na sua arte a visibilidade trans. Resolveu fazer o canal para poder diminuir, com informação, os índices do Brasil – um dos maiores de assassinatos de travestis e transexuais do mundo. Seu canal hoje tem mais de 10 mil assinantes.

Nathalia GriloMovimento Elegbá Ojà

“Moldada pela vivência no interior litorâneo do extremo sul da Bahia. Migrante, grapiúna como os meus, chego ao sudeste trazendo lembranças, paisagens e memórias na bagagem – Cultura de raiz. Pesquisadora Popular de assuntos Afro-brasileiros e Contadora de Causos, Educadora. Exerço, em minha caminhada, projetos de arte-educação atuantes em lugares como o Centro Cultural da Juventude, localizado na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, na Biblioteca Parque de Manguinhos, localizada na periferia suburbana da zona norte carioca, Biblioteca Parque da Rocinha, também no RJ. “Aquele que muito anda, voa!” Diz o dito Iorubá. Se trata de um passeio por entre os caminhos de Esú, na companhia daquele que é o primeiro Orixá, Dono dos movimentos e Guardião das cidades! Nos labirintos coloridos dos mercados e das feiras, é ele quem cuida de tudo que é assunto, de tudo que é cheiro, de tudo que é gosto, de tudo que é som, de tudo o que tem cor, e é justamente por essa grandiosidade do Bará que este projeto é guiado por sua sabedoria e por sua capacidade de se relacionar com o outro através da palavra. Fruto da Cultura popular afro-brasileira, Movimento Elegbá-Ojà busca incessantemente as fontes que revelam a simplicidade e a complexidade do Movimento do Guardião e das andanças das mulheres negras dentro e fora da Diáspora. Laroiê! Eparrêi!”

Thaysa Malaquias – coletivo Não Me Kahlo publicou estudo sobre ciberfeminismo

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalha como autônoma na área. Ama dormir, perdendo apenas para a atividade de comer. Não sabe lidar com as opções do Netflix e demais coisas. Apaixonada por Arquitetura e Urbanismo, acredita no papel social que tem como profissional da área em criar cidades mais justas e igualitárias. Gosta de cinza, mas também de cores vibrantes. Tem muita insônia e pensa demais na vida. Valoriza muito o aprendizado tanto a partir de livros, como de vivências. Sofreu para fazer essa descrição.

Rhayssa Dantas

A profissional é de Natal e mora no Rio de Janeiro – trabalha na área de contabilidade e turismo

Jéssica Ipólito – mostra artes belíssimas em Gorda e Sapatão, e escreve também nas Blogueiras Negras

Gorda, sapatão, negra, filha de mãe preta solteira e pai branco omisso. Fruto da miscigenação que veio para exaltar a negritude em seus diversos tons, porque eu sou dessas! No final de dezembro completo mais uma primavera. Saí do interior bem humilde em 2010, deixando minha mãe e familiares, para viver na capital de São Paulo sozinha. Eu só vim parar aqui por causa de uma mulher! Sapatão que sou, nem voltei para pegar minhas coisas que ficaram para trás. Loucura, alguns dizem, mas acredito que foi um passo no escuro que eu precisava dar. E assim cheguei aqui nessa cidade cinza e barulhenta, que me proporcionou dias terríveis que mal posso descrever. Hoje, já acostumei com o ritmo e entrei na dança, mas sinto que meus quadris já não rebolam como antes… Preciso de um outro ritmo para aprumar minha vida! Por enquanto, eu só desejo a passagem de ida enquanto procuro emprego, bico, freela, qualquer coisa que me gere renda. Então, se você aí quiser me indicar alguma vaga de emprego, algum bico de madrugada…  Fique à vontade! Estou precisada, mesmo! As pessoas acham que eu sou brava, mas a verdade é que eu não sou obrigada a corresponder a nada, e acho que ninguém deveria. Tem que saber chegar na humildade e respeito porque isso sempre vai ter recíproca de minha parte. Eu sou tranquila quando preciso, mas não poupo as palavras, cansei disso porque elas lotam o peito e adoecem a alma. Eu sou de riso frouxo, gargalhada estridente. Gosto de moda e por isso vivo inventando uma coisinha aqui e ali pra me enfeitar, também nessa onda, eu reinvento minhas roupas e misturo as cores. Aliás, algo muito importante sobre mim: eu AMO cores vibrantes, da roupa ao cabelo, do batom ao tênis. Eu sou dessas que ama ser colorida, rs… Gosto de usar muitas imagens porque a falta de representatividade ainda reina na mídia, e esse é um canal que vai transbordar representatividade no audio-visual. Faço questão, mesmo sabendo das dificuldades de encontrar fotos, desenhos, artes no geral que dialoguem no sentido de empoderamento do corpo gordo, que é diverso, não esmoreço diante disso, e sigo desde então priorizando a visilibilidade lésbica negra, o combate ao racismo, a luta contra a gordofobia, o feminismo também em foco.

Lola AronovichEscreva Lola

Sou professora da UFC, doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e, na definição de um troll, ingrata com o patriarcado. Neste bloguinho não acadêmico falo de feminismo, cinema, literatura, política, mídia, bichinhos de estimação, maridão, combate a preconceitos, chocolate, e o que mais me der na telha. Apareça sempre e sinta-se em casa. Meu twitter também é bem movimentado.

Zilda Rodrigues Pavão

Deixou sua primeira filha assistir o parto humanizado que fez da irmãzinha mais nova e, hoje, aluna secundarista de escola pública ,Beatriz Pfau conseguiu junto com as adolescentes da escola expulsar um colega que insistia em assediar fisicamente e sexualmente a todas, além de se interessar nos rumos políticos do nosso país e pela qualidade da educação mostrando o quanto é importante o incentivo familiar.

Luíse Belloconsultoria para empresas sobre conteúdo para mulheres

Publicitária e fundadora do coletivo Think OLGA . Ela é diretora de comunicação do coletivo e gerente de conteúdo e comunidade da ONG. Este texto no foi publicado originalmente no blog pessoal Cronicamente Carioca fora do ar, mas replicado no Geledés: toda feminista é mal amada

O DOCUMENTÁRIO

Tecnologia, cinema, arte, texto literatura, jornalismo, crônicas, mídia social, economia criativa, inovação: como redes pessoais, interlocuções e argumento com trocas de ideias podem se tornar movimentos fora da rede virtual?

O filme foi apresentado por representante do Canal Futura e pela diretora da escola Irene Ferraz que logo convidou a equipe do documentário a um encontro com os alunos da escola pelo seu caráter disruptivo. “O Futura busca abordar temas sensíveis à sociedade, de forma a provocar uma reflexão mais profunda sobre questões urgentes. #EuVocêTodasNós aborda desde o aborto e o direito ao próprio corpo até os constantes casos de violência doméstica e abuso sexual num contexto de mobilização digital em torno dessas causas. A internet deu mais força à voz das mulheres, que querem e precisam ser ouvidas” disse João Alegria – gerente geral do Futura.

O título deste documentário foi escolhido justamente por expressar as várias camadas de subjetividade e multiplicidade que pode conter o conceito do feminismo. Ele procura apresentar algumas facetas de vertentes – consegue de forma muito didática mostrar e esclarecer que existem FEMINISMOS e formas de atuar: #euvocêtodasnós. Um dos diretores, Ellen Paes explica

Eu: sujeita individual, subjetiva, única e intransferível; Você: a outra, a quem eu respeito enquanto pessoa que difere/diverge de mim.  Todas: mulheres, diversas, heterogêneas, múltiplas.  Nós: coletivas, juntas.

Siga e ouça!

Álbum no Spotify com a maior parte das músicas inéditas e compostas especialmente para o filme. Rappers mulheres de vários estados do Brasil compõe a trilha sonora do documentário com a direção de Guto Guerra: BrisaFlow, Sinta A Liga CREW, Aika Cortez, Helena D’Tróia, Yas Werneck, Taisa Machado e Flaviane Silva, Inuvik.

twitter > twitter.com/euvocetodasnos

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QUEM FEZ? Conheça parte da equipe

PAULA LAGOEIRO – cineasta com pós-graduação em mídias sociais é gerente de projetos da Coopas. Acumula sete anos de experiência na produção de programas e documentários para televisão com enfoque em saúde, meio ambiente, direitos humanos e políticas públicas; dirigiu a produção de curtas-metragens premiados em festivais de cinema. Ela também assinou a produção executiva de “De Volta”,  que em 2012 foi o vencedor do 3º pitching Futura, e depois finalista do Emmy em 2014.

ELLEN PAES – a jornalista e repórter televisiva atua na área de Saúde Pública desde 2009 e escreve desde 2007 com textos em vários blogs feministas e que falam de maternidade. Primeiro chamada como personagem, se interessou em integrar o projeto e foi convidada para dividir a direção do documentário com Rafael Figueiredo. Mãe da Valentina, que foi a pequena-grande divisora de águas entre o antes e depois do ativismo. Feminista negra, ativista pelos direitos da mulher, da mãe, da infância e dos direitos humanos. Escreve sobre questões de gênero, raciais, de sexualidade, comportamento e tudo o mais que faz parte do universo materno. Pedimos e ela indicou coletivos para mães que querem integrar estas redes no Rio de Janeiro: Coletivo Negra Mãe (100 mães negras e crescendo); Mães e crias na luta

RAFAEL FIGUEIREDO – diretor de televisão e cinema com mestrado em Comunicação é coordenador do Núcleo de Cinema e Vídeo da Coopas. Foi professor de direção no Curso de Realização Audiovisual da UNISINOS/RS de 2005 a 2008. Foi diretor do finalista do Emmy em 2014 “De Volta”,  feito também em parceria com o Futura. Dirigiu A peste da Janice, curta em 35mm premiado nos festivais de Gramado, Bahia, Cartagena e Huelva. Em 2009, Groelândia, melhor filme no Festival Iberoamericano de Huelva e no Festival de Artes Audiovisuais de La Plata. Dirigiu comerciais e institucionais as séries RS – Um século de história e SC – 100 anos de história; séries de ficção e de documentário para o Núcleo de Especiais da RBS TV (séries Mundo Grande do Sul, A Ferro e Fogo, Conquista do Oeste, Ordem e Progresso, 5 vezes Erico, Sete pecados, Viajantes, Fundo do Mar, Mulheres em Transe). Idealizou e dirigiu a série Primeira Geração – finalista de “minissérie” do New York Festivals 2009 TV Programming & Promotion.

[daqui em diante SPOILER, mas cada mulher maravilhosa que deu depoimento brilha  <3 ]

O documentário inicia com o questionamento: O que é ser mulher? Como isto se reflete no que faz na internet? E fecha com outra pergunta: e em 50 anos as mulheres estarão lutando ainda pelas mesmas coisas?

Militante que escreve no Blogueiras Negras e trabalha com arte é Jéssica Ipólito que através do site pessoal Gorda e Sapatão discute racismo, lesbianidade, feminismo; compartilha imagens fora do padrão imposto de beleza e reflete sobre o que consideramos bonito dando visibilidade e empoderamento a muitas mulheres que possuem problemas com gordofóbicos. Nathalia Grilo fala sobre periferia, luto e solidão da mulher negra, se expressa também através da sua arte resgatando o uso de palavras da cultura africana através de oficinas de oralidade e tradição utilizando Antropologia, História e Arte-Educação através de imagens dos mercados e registro dos sons, cheiros e cores das feiras livres com artesãs e micro e pequenas empreendedoras negras independentes formando uma rede com o Movimento Elegbá Ojà. Rhayssa Dantas não se considerava feminista e negra… se descobriu e assumiu após sofrer discriminação e conversar com colegas próximas sobre o assunto.

Temos depoimentos de referências na internet Lola Aronovich do blog Escreva Lola Escreva e Lúcia Freitas do Luluzinhacamp que estão com estes blogs desde 2008. Lola Aronovich é referência sobre feminismo online, escreve também sobre cinema e política; e atua professora universitária de Literatura em Língua Inglesa e Lúcia Freitas é jornalista e iniciou o grupo no Google com mais de 300 profissionais de várias áreas – o mote inicial era agrupar mulheres que trabalhavam com tecnologia, mas depois se ampliou e com participação colaborativa e voluntária: aprendizado sobre ferramentas tecnológicas e seus usos, políticas de saúde e educação, sustentabilidade e a presença feminina no mercado de trabalho novas oportunidades de formação em algumas cidades brasileiras onde as participantes estão presentes e apresentam seus projetos profissionais, trocam ideias sobre empreendedorismo cidadão, sustentável ou quais as melhores formas de se recolocar no mercado de trabalho com um novo mindset colaborativo e hacker – muitos destaques e projetos digitais inovadores surgiram e ainda surgem dentro do grupo, além de parcerias.

Ellen Paes fala que a militância no feminismo negro tornou-se mais ativa quando engravidou e teve que lutar muito para conseguir o parto humanizado (algo que deveria ser a primeira opção, mas infelizmente médicos dificultam muito o acesso); assim como Lo Res faz com outras cinco mulheres o canal de videolog Sapa À Tona que fala sobre ser mãe e lésbica; e exclusão no mercado de trabalho e as alternativas que as mães podem encontrar frente a este obstáculo. Zilda Pavão deixou sua primeira filha assistir o parto humanizado que fez da irmã mais nova e hoje, aluna secundarista de escola pública Beatriz troca ideias sobre feminismo com a mãe e fala da emoção, importância em vivenciar o momento do parto em casa.

Rosa Luz rapper e estudante universitária fala sobre o conceito do transfeminismo, como a internet é importante para resistir e denunciar violências a que são expostas as pessoas trans; para criar também um ambiente seguro para si e outras o casal militante Larel Costa e Mari Lopes adotou a ideologia de tentar conviver o máximo possível mais com mulheres, e também priorizar consumo de serviços e negócios de empreendedoras.

Com milhares de seguidores e incentivando um grande público com publicações sobre feminismo Thaysa Malaquias do coletivo Não Me Kahlo fundado em 2014 e que criou a hastag #meuamigosecreto – que já virou livro com reflexões aprofundadas e embasadas. A militante mostra sobre a necessidade do chamado feminismo interseccional – chamado assim quando ativistas negras mostraram pela primeira vez a importância dos recortes sociais, raciais e culturais nos anos 70. O coletivo quer ampliar o trabalho e fundar uma associação civil que com certeza terá apoio dos seguidores da página que hoje chegam a 1 milhão e duzentos mil no faceboook. Luíse Bello do coletivo Think Olga que também tem grande repercussão e fizeram muitas jovens se engajar mais no feminismo afirma que não é contraditório estar dentro de uma igreja com denominação cristã e ser feminista. O coletivo criado por Juliana de Farias em 2013 quer empoderar e informar as mulheres foi responsável pela campanha chega de fiufiu que este ano vira filme, e pela hastag #MeuPrimeiroAssédio – que pelos mais de 80 mil relatos e revelou um dado alarmante: a média de idade do primeiro assédio no Brasil é de 9,7 anos. Muitas das mulheres que participam das diversas campanhas de hastags já foram agredidas fisicamente e só conseguem enviar seus depoimentos de forma anônima, pois estão frágeis em demasia e poderão sofrer novamente violências caso publiquem abertamente.

Web.br 2015 nós vamos!

web.br2015: descentralização da web

Nos dias 22 e 23 de setembro tem Web.br2015 e o LuluzinhaCamp é parceiro. Este ano, o evento tem como tema a descentralização da web, um resgate dos princípios originais de ser aberta e distribuída. Sim, vivemos tempos perigosos em que a tendência é que a rede seja dividida por países e isso é muito ruim – sem contar que é uma chatura.

Mais que a discussão – central para todas nós, será um lugar para ouvir, aprender e fazer web. São cinco trilhas:

Trends – apresentar tendências e caminhos que apontam para o futuro da Web.

Open Web – a coleção de tecnologias e padrões abertos (CSS3, HTML5, SVG & cia)

Segurança & Privacidade – A criação de Web apps seguros e o trabalho de normatização para melhorar o suporte à privacidade do usuário na Web serão discutidos nessa trilha.

Web Payments – debate sobre um meio universal de pagamento via web.

Workshops & Tutoriais – para aprender na prática como as tecnologias funcionam.

 

Vai ser bacana, vai ser legal. O line-up é de explodir de lindeza, super bem cuidado. Todas as informações estão lá no site: http://conferenciaweb.w3c.br.

Onde? No Centro Cultural Rebouças, 22 e 23 de setembro, das 9h às 19h. As mulheres do LuluzinhaCamp têm desconto de 7,5% para suas inscrições. O código será compartilhado com as que estão no grupo de discussão.

Venham! Sempre é um momento lindo de encontrar outras mulheres que fazem a Web no Brasil.

Camila Achutti é finalista do Woman of Vision \o/

Camila Achutti, imagem "afanada" do site do prêmio...

Camila Achutti, imagem “afanada” do site do prêmio…

Pronto, gente, pode explodir de orgulho. Uma brasileira, a nossa queridona Camila Achutti, é finalista do prêmio americano, Student of Vision ABIE Award (http://women-of-vision.org/) e vai até Palo Alto, na Califórnia, para dia 14 de maio, participar da grande final, disputando o prêmio com uma jovem americana.

Camila Achutti é referência no cenário nacional quando o assunto é a inserção das mulheres na tecnologia. Basta uma breve pesquisa para descobrir a grandeza do trabalho de Camila Achutti, que com apenas 23 anos já estampou a capa da revista InfoExame, matérias para a Folha, Estadão, Época Negócios, entre outras mídias. Sua última conquista está na MARIE CLAIRE, sendo indicado como uma das 24 mulheres que querem mudar o Brasil.

[texto escrito pela fofa da irmã da Camila, publicado aqui com autorização da nossa menina de ouro!]

Technovation Challenge – etapa SP

Visão da área de apresentação dos projetos, CCSP, 29 abril 2015

Ontem as queridonas do Technovation Challenge Brasil me convidaram para ser judge dos apps da etapa SP. Gente! O que foi aquilo? Estou morta de amor com farofa até agora. [E nem a desgraceira que está acontecendo no Paraná diminui o sentimento. Significa]

Pra vocês entenderem:

Nos últimos meses, meninas de 10 a 18 anos se dedicaram a criar um aplicativo que solucionasse um problema real de suas comunidades, participando do maior programa do mundo para mulheres em tecnologia, o Technovation. Agora, elas vão apresentar suas startups para o mercado e para experts no assunto. 

Contamos com a sua presença para incentivar e inspirar essa nova geração de empreendedoras, e para homenagearmos juntos o Dia da Educação! Anota na agenda: 29 de abril, das 18h às 22h, no Centro Cultural SP.

O espaço Missão do Centro Cultural São Paulo tinha umas 15 ou 20 equipes com várias meninas e adolescentes de toda a cidade (ETECs, escolas particulares, EMEFs…) com ótimas ideias e prontas para ir para a briga. APPs de todo jeito, tamanho e cor, criados pelos grupos com apoio das mentoras, todos com Plano de negócios, monetização pensada (ou recusada), quase todos operando e funcionando.

Civit, um dos apps que passou para as finais

Um dos grupos vencedores: Civit – pra resolver assuntos da cidade

Posso dizer que tive o privilégio de ser tocada pela inspiração, vinda destas meninas e moças. A Alexia que chorou pra programar (e apresentou um app para alfabetizar adultos), as moças da comunidade do Real Parque que perceberam que o caminhão de lixo não quer saber de gente pobre e só passa no “lado rico” – e criaram um app pra resolver isso. Ou as meninas de Paraisópolis que trataram de inventar um app para atender a mulherada de lá (com disque denúncia integrado, claro).

As moças do TechnoGirls, que querem fazer um GPS acessível!

As moças do TechnoGirls, que querem fazer um GPS acessível!

É impressionante a capacidade das meninas de perceber o que é que está acontecendo em volta e criar um aplicativo. Dengue, GPS Acessível (para cegos), Crise Hídrica (mas ninguém avisou essas moças que era uma tragédia prevista?), jogo pra ajudar adolescentes a encontrar carreira. Durante mais de uma hora, fomos expostos a sonhos, a meninas nervosas que querem muito ir pro Vale do Silício fazer pitch dos seus projetos (este é o prêmio de quem vencer a etapa nacional).

Claro que teve sorteio (muitas camisetas, dois Chromecasts). O júri (Google, São Paulo Aberta, Ana Fontes – Rede Mulher Empreendedora – e Fundação Lemann) teve que rebolar para escolher os 3 grupos que venceram a etapa. Mas vocês querem saber a real? Cada menina que fez um aplicativo minimamente funcional já ganhou. Ganhou liberdade e asas para criar e mexer no mundo.

Este grupo inventou a Ms. Wasser, pra ajudar a combater a crise hídrica... (já que o Alckmin tá sentado em cima das mãos)

Este grupo inventou a Ms. Wasser, pra ajudar a combater a crise hídrica… (já que o Alckmin tá sentado em cima das mãos)

Claro que eu chorei litros de alegria com um dos resultados. Claro que saí de lá certa de que o Technovation Challenge é um belo caminho para a gente fazer uma educação melhor e de outro jeito. Saí impressionada com as professoras de informática da rede municipal (alô Gabi Gaborin!), com as mentoras fofas, com a energia renovada e pronta pra encarar uns trinta leões.

O Technovation tem a missão de educar e de inspirar meninas a quebrar estereótipos e ter a chance de participar ativamente da solução de problemas de sua comunidade por meio de Tecnologia. É emocionante.

E é um orgulho ver este movimento crescer, com mais de 5 mil inscritas em 2015.

Fotos: Divulgação.

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Outubro Rosa

Outubro Rosa 2014

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