Moda Para Todas

Esses dias as Luluzinhas estavam falando sobre blogs de moda e achei legal compartilhar algumas dicas aqui.

Muita gente acha que moda é pura futilidade, mas a coisa não é bem assim. Nosso vestuário reflete muito os costumes de um determinado período, afinal nossa mãe não se vestia como nós e nem temos mais as mesmas roupas que usávamos nos anos 80. Agora imagine o quanto de história há nos trajes da época do Brasil Imperio. O vestir-se é uma forma de linguagem. Moda hoje significa cultura e representação artística. Já falei um pouco sobre como a moda tem tudo a ver com cultura livre no post Mídia Social, Gênero e Cultura Livre. Hoje quero falar de dois blogs específicos que mostram que moda é para todas, especialmente para quem gosta de soltar a criatividade.

Pelo twitter da Revista TPM descobri o blog da Wendy, o Wendy’s Lookbook. Ela explica que busca inspiração em várias coisas como:  arte, natureza, cultura, arquitetura, comida, pessoas e músicas. Moda representa uma compilação de tudo isso, pois é um veículo para que ela possa brincar com formas e cores, descobrindo seu estilo pessoal. Além da moda, a Wendy é super engajada socialmente, sendo voluntária em programas de reabilitação de jovens infratores, pois ela sabe como é ter uma juventude difícil, batalhou muito para se graduar. Mas e aí, por que tô falando da Wendy? A razão dela estar aqui é um vídeo divertido em que ela ensina 25 maneiras de usar um lenço. Parece bobagem, mas pense naquele lenço bacanérrimo que está no seu armário e como ele pode mudar totalmente um visual. A Wendy te ensina isso num vídeo interativo.

E aí, gostou?

Minha segunda dica é o blog de uma francesa chamada Sakina, o Sak’s In The City. A Sak é uma mulher que tem curvas e ama moda. Na maioria das vezes, as gordinhas tem que rebolar para encontrar peças bacanas que estejam na moda. Muitas das lojas específicas ainda vendem roupas que ficariam ótimas em nossa avó, mas nem nós queremos ver nossas avós tão sem graça. A Sak também cria seu estilo a partir do lúdico, da mistura e do desejo de brincar com a moda. Instigando a criatividade e a novidade em novos looks. Seu trabalho é tão legal que ela se tornou colaboradora da Vogue sobre moda plus size. O que mais gosto nos looks da Sak é que sempre tem um detalhe que deixa o look super a cara dela, como um sapato de oncinha ou uma bota roxa. E ela promove encontros super festeiros com outras gordinhas que também amam moda, provando que todo mundo quer participar dessa brincadeira de se vestir.

Sakina em foto do seu blog Sak's In The City. Clique para abrir a galeria.

Essa é Sakina arrasando na pose do açucareiro. Chique, linda e fashion! Tenho ela como grande inspiração na hora de montar looks, porque é maravilhoso poder criar usando roupas confortáveis. Agora, não deixe de conhecer os blogs bacanas sobre moda e tendência de algumas Luluzinhas, feitos por várias mulheres que adoram moda:

[+] Chat Feminino da Anne Rego

[+] É Tudo Questão de Estilo da Pietra Sugiyama

Peles na Moda: uma questão mais ampla.

As coleções de inverno estão nas araras e em várias marcas é possível ver peles de animais verdadeiras. A pergunta é: vale tudo na moda? Será que já não discutimos o suficiente a crueldade que é matar animais para fazer casacos de pele? A resposta é não. Atualmente a questão da pele na indústria da moda ainda não é totalmente questionada, mesmo com os inúmeros protestos de organizações de defesa dos animais. Porém, não discutimos ainda com clareza a questão dos direitos dos animais. Não só na moda, mas também em nossos hábitos.

Aviso que esta não é uma questão de dizer que matar vaca para o bife pode e matar raposa para casaco não. É preciso refletir sobre inúmeras questões. Somos, em sua grande maioria, criados como onívoros, estamos acostumados a comer carne desde a pré-história. É um hábito e dependendo do país em que você vive pode-se comer cachorro ou não, por exemplo. Ou pode-se ter uma ótima culinária vegetariana como é o caso da Índia. No caso específico do Brasil, a pecuária é um dos grandes meios de produção da economia. Somos um povo acostumado a comer carne de vaca, frango, porco, peixe entre outros animais. Porém, não somos um país que culturalmente mata raposas e coelhos para fazer casacos de pele. É preciso refletir sobre nossos hábitos alimentares e sobre a cadeia de produção de alimentos da qual fazem parte. Métodos de abate em grande escala na maioria das vezes não respeitam nem os animais e nem os trabalhadores envolvidos. Vemos o reflexo disso também na qualidade da carne que consumimos. Portanto, a carne que comemos e o casaco de luxo não fazem parte da mesma cadeia de produção, mas estão interligados dentro da nossa relação com animais.

Animal Patterns. Crédito da Imagem: Elfike no Flickr, em CC

Quando falamos de direitos dos animais é preciso falar do uso de peles na moda, mas também de tráfico de animais silvestres, das penas naturais usadas em alegorias durante o Carnaval, dos animais abandonados por seus donos, dos zoológicos, da caça indiscriminada, dos maus tratos, das condições de abate em frigoríficos e dos nossos hábitos de consumo de carne e derivados animais. O que podemos fazer para mudar essa situação? Qual nosso nível de respeito pelos animais? Matar animais é justificável dependendo de como os usaremos? Precisamos matar animais para vivermos? É importante levantarmos todas essas questões. Porém, focar em uma delas em determinado momento não significa fechar os olhos para outras. E a grande questão quando falamos de moda é: há substitutos. Há materiais de qualidade que podem substituir facilmente a pele verdadeira de animais em vestimentas. Então, quanto vale um look? Quanto vale uma tendência?

É importante refletir individualmente sobre nossas ações. Podemos virar vegetarianos, podemos virar veganos ou podemos diminuir a quantidade de carne que consumimos. Podemos fazer boicotes a empresas que não realizam abate humanizado e empresas que vendem pele e couro de animais verdadeiros. Podemos denunciar o tráfico de animais silvestres e não aprisioná-los em cativeiro. Ações individuais e reflexão constante sobre nossos hábitos de consumo são fundamentais para mudar nossas relações com o mundo. Muitas vezes não são suficientes para modificar os meios de produção, mas ao vermos que uma empresa decide tirar das vitrines peças de sua coleção que exalta peles de animais em decorrência dos protestos, é possível ver uma pequena vitória dentro da ampla questão dos direitos dos animais. Ações individuais são nossa responsabilidade, além de serem catalisadores de ações coletivas. Quando o presidente de uma grande empresa de moda afirma que não é responsável pelo debate de uma causa tão ampla e controversa, justificando que pele de animal é tendência, quem assume a responsabilidade? Cada um de nós deve assumí-la.

Este post faz parte de uma Blogagem Coletiva proposta pela Renata Checha. Outros posts participantes:

#ArezzoFail!

A Arezzo e a Minha Pele

A Polêmica das Peles

A terceira lei de Newton e o caso arezzo

A Vênus das Peles – Leopold Von Sacher Masoch

Arezzo e algumas outras ignorâncias

Crueldade animal NÂO está na moda

Não é nossa responsabilidade?

O Tiro no Pé da Arezzo

Pele está na moda? Fique fora de moda!

Peles, Pra Que Te Quero?

ModaCamp em São Paulo

Galliano, Markus Bollingmo, CC
foto: Markus Bollingmo, CC

Organizado pelo IED São Paulo, o ModaCamp vai acontecer em São Paulo nos dias 14 e 15 de abril, das 15h às 20h. Não é um Camp como a gente está acostumada a ver e fazer, mas parece que vai ser bacana. Eles passaram um bom tempo na seleção de blogueiros, profissionais e jornalistas de moda que farão suas apresentações em 15 minutos – todas seguidas de debates. O tema é “Que moda a internet favorece?” e será discutido através de quatro tópicos:

  1. A comunicação no mundo da moda
  2. Moda e Business
  3. Os avanços da tecnologia têxtil
  4. Tendências

A escalação já tem 11 escolhidos, entre eles a queridona Bia Perotti e a dupla Cristina Zanetti e Fernanda Resende, do Oficina de Estilo.

As inscrições estão abertas e são gratuitas.

Luluzinhas indignadas com a magreza

Hoje é um dia especial. Tudo começou com uma notícia da Folha Online sobre a magreza das modelos nas semanas de moda. As Luluzinhas Gabi Bianco, Ana Paula Marques e Renata Correa não deixaram por menos: foram aos teclados e clamam por razão em meio à loucura. A história da distorção dos corpos atravessa a indústria da moda feminina desde sempre… Me veio, em meio à discussão, uma cena linda do filme Duquesa, em que a personagem diz ao marido: “Desenho meus vestidos porque é a única forma de expressão que tenho”. A história da Duquesa de Lankashire acontece em 1774, com corpetes, anquinhas e muito aperto…

Em 2010, ainda lutamos contra o estereótipo. E sofremos com os editoriais de moda e o bombardeio de imagens que não relutam em usar mulheres-palito para mostrar coleções. No Brasil, para mim, o mais grave é a falta de respeito a qualquer padronização de tamanho. O que é 40 ali é 38 pela ABNT – que, sim, fez uma norma técnica para tentar colocar ordem na gaiola das loucas, mas fala sozinha. E o fato de ser desconsiderado que a maior parte de nossa população é negra ou mulata. E o fato de que existem mulheres de todos os tamanhos, formas e cores. E a reincidente tentativa, principalmente na indústria da moda, de homogeneizar as pessoas.

Nenhum estilista da São Paulo Fecha o Vick (meu apelido especial para o ordálio da moda) pensa em diferença. Eles querem é ganhar dinheiro, criar glamour, enfeitar o mundo. Válido, lindo, tudo certo. Só que no altar da beleza os carneiros sacrificados são meninas. Ao ver as imagens dos esqueletos desfilando – esqueletos são belos, como tudo no humano o é – imaginei o impacto disso nas iniciantes e aspirantes. Ser modelo é uma profissão dura, exigente. E os selecionadores passam dos limites.

Imaginem que esta escriba tem 1,80m e pesa 64 kg depois de muita luta porque estava no limite da anorexia. Sim, eu precisei lutar para engordar e a salvação foram os carboidratos reforçados antes de dormir. Não, não tenham inveja. Comer é uma delícia, uma das melhores coisas na vida. Adoro boa comida, saladas, frutas, legumes, massas, as coisas boas que a Cozinha da Matilde nos oferece. Confesso que não como muita carne, mas é mais preferência pessoal do que qualquer outra crença. Fui educada assim.

Evitar a magreza extrema, promover a saúde e o bem-estar é o objetivo de estar no mundo, de ser bonito, de viver. A vida é dura, sim, e costuma piorar com o tempo. O que será destas moças magérrimas? Bloguemos, então. Falem o que acham do assunto. E pensem: como é que vocês vão construir suas auto-imagens? Olhando para estas modelos ou vendo a si mesmas? Eu vejo, no Luluzinha, mulheres que pensam, que se reúnem, que têm bom gosto e valor suficiente para evitar a vala comum do que é “tendência”. Mulheres que realmente fazem a diferença.

E fazer a diferença, neste caso, significa mandar estas marcas cheias de “valor” caçar sapo na lagoa e ir atrás das marcas que valorizam todos os tamanhos e cores de mulher. #prontofalei!

Aproveitem e assistam à ótima matéria que a TV Vírgula fez sobre o assunto.
Virgula.com

Update

Mais posts sobre o assunto:

Encontro Real à vista: venham, venham

La Reina - Encontro real

Dia 29 tem Encontro Real no ateliê da La Reina Madre. Eu estarei lá, Zel também… venham.

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