Livro para Voar: preparem os seus

Reading is Fundamental, por Troy Holden em CC

Foto: Troy Holden em CC

Eu sei que a Srta. Bia vai me matar, porque a esta altura a sua mala já está fechada. Lá no LuluzinhaCamp 2010 teremos uma estante do Livro para Voar. É mais um dos projetos brasileiros similares ao Bookcrossing.

Com o site, você liberta livros que já leu, fica sabendo onde encontrar títulos que quer ler e entra em contato com outros amantes da leitura. Sem contar que a gente não fica guardando livros em casa e transforma o mundo numa grande biblioteca.

O primeiro passo é fazer seu registro. A partir daí, você poderá cadastrar obras, dar sua opinião, programar a libertação e acompanhar a emocionante viagem que seu livro fará.

Nossa proposta é que vocês cadastrem seus livros antes do nosso encontro e os deixem por lá. Eu sei que a Francine vai adorar. E também quero ver se solto algumas coisas.

Confissões Absurdas

A Deh Bortoleti levou o assunto pra nossa lista de discussão: Maria Mariana, aquela mesma, a autora de Confissões de Adolescente, disse verdadeiros absurdos sobre a maternidade em entrevista à Revista Época. Vai lá conferir (e prepare-se para ler sandices), depois volta aqui.

Nem tudo na entrevista é absurdo, mas as barbaridades que Maria Mariana fala (e escreve, já que a entrevista foi feita para divulgar Confissões de Mãe, seu novo livro) de modo tão inconsequente como se fossem verdades absolutas chocam quem tem um pingo de juízo – e podem influenciar negativamente muitas mães por aí.

Vamos a uma relação das pérolas.

“Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor.”

Como assim, Bial? Quer dizer que a mulher que precisa fazer uma cesariana para proteger sua vida e/ou a do bebê (ou que é brutalmente levada a isso por médicos preguiçosos, como é bem comum) é uma mãe ruim? Ou não tão boa quanto a que pariu naturalmente?

E quanto à mãe adotiva? Pra você, Maria Mariana, ela deixa de ser mãe só porque não pariu aquela criança?

Que escala é essa que você usa para definir que mães são melhores que outras?

“Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece.”

Ah, é? E a minha mãe, que fez tudo o que pôde, mas, simplesmente, não teve leite? Será que ela não mereceu? Ora, poupe-me. É tão fácil medir o mundo pela sua própria régua e esquecer que as vivências variam de pessoa pra pessoa.

“Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.”

Possivelmente, o absurdo-mor. Depressão, Maria Mariana, é um quadro clínico. É uma doença, um desequilíbrio químico. Ninguém tem depressão pós-parto por fazer enxoval ou marcar cesárea. Por outro lado, há mulheres que têm parto normal e sofrem com a doença. Se você não teve depressão pós-parto, sorte a sua.

“Deus preparou o homem para estar com o leme na mão.”

É mesmo? Diga isso para as milhares de mães solteiras espalhadas pelo Brasil. Ou para as milhões mundo afora.

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação.”

Esse foi o melhor exemplo que você pode dar sobre o que é casamento? A minha visão de casamento tem a ver com parceria, não com com a mera (e desigual) realização de tarefas domésticas.

Maria Mariana, suas declarações cairiam bem na boca de uma adolescente mimada que não amadureceu o suficiente para perceber que cada pessoa tem suas próprias experiências e que o mundo nem sempre funciona segundo seus valores ou sua realidade.

Espero que seu livro seja um fracasso de vendas e que não incuta idéias erradas e preconceitusas em atuais e futuras mães.

O assunto tem reverberado pela blogosfera. Veja outros textos (mais completos) sobre o assunto:

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