O Boticário faz campanha de gosto duvidoso

Por Lu Monte, do blog http://diadefolga.com
Categoria: Opinião

Vaidade: qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória.
(Dicionário Houaiss)

Você já viu a nova campanha publicitária d’O Boticário? O slogan é “Acredite na Beleza” e o fio condutor está na pergunta “Não seria bom viver em um mundo sem vaidade?”.

Poderia ser uma propaganda parecida com a Campanha Pela Real Beleza, da Dove. Poderia, mas não é. Na verdade, é diametralmente oposta.

Quando a vi pela primeira vez, há algumas semanas, fiquei atônita. “Será que é isso mesmo que estão querendo dizer?!” Porque, no fim das contas, a peça publicitária é uma ode à beleza superficial, cosmética, removível com água e sabão. E a beleza de cada mulher, natural, especialíssima, pessoal e instransferível? Essa deve ser escondida sob camadas de maquiagem.

Veja bem: eu amo maquiagem - tanto que, recentemente, dei dicas aqui e no Deusário. Adoro sair de casa arrumada e cheirosa. Daí a achar que potinhos e creminhos guardam a chave da verdadeira beleza, vai uma distância enorme.

Leitura imprescindível sobre esse assunto é o texto da Cyn Cardoso (que descobri por um twitt da Tine Araujo), muito mais completo que este. Nos comentários de lá, já há polêmica - algumas garotas amaram a propaganda e dão a maior força ao conceito de beleza que ela traz. Veja o vídeo (a Cyn Cardoso o colocou no artigo dela) e responda: para você, O Boticário errou o tom?

Um mundo de mulheres de verdade

Por Lucia Freitas, do blog http://ladybugbrazil.com
Categoria: Opinião

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Texto da Ju Dacoregio, que vem de SC direto para o Luluzinha Camp.

Ela queria viver num mundo onde as mulheres não fossem pedaços de carne e onde esses pedaços de carne não fossem vendidos nas ruas e nas bancas de revista. Ela queria viver num mundo onde as mais velhas não precisassem olhar com inveja para as mais novas. Ela queria viver num mundo onde nenhuma mulher precisasse temer a perda do desejo de seu amado com a chegada das rugas e dos cabelos brancos. Ela queria viver num mundo onde as mulheres fossem deusas, independente da circunferência de suas cinturas.

Mas no mundo em que ela vivia, mulheres mutilavam seus próprios genitais em nome da estética e chamavam isso de cirurgia íntima. No mundo em que ela vivia, as mulheres usavam seus corpos como instrumentos de poder e afronta, umas sempre tentando serem superiores às outras. Numa competição em que a pele mais lisa, o rosto mais angelical, a menor quantidade de anos vividos sempre saía vitoriosa e isso evoluía tristemente a ponto de gerar absurdos como homens adultos desejando meninas impúberes. Ela vivia num mundo em que garotas de 13 anos eram usadas para provocar os anseios de consumo das pessoas.

Ela queria viver num mundo diferente. Num mundo em que mulheres não fossem inimigas em potencial. Por isso começou a sorrir mais, sem medo de evidenciar as ruguinhas já existentes. Passou a retocar menos a maquiagem e a entrar correndo no mar com seus filhos, mesmo após ter feito uma escova. Decidiu nunca mais mentir ou esconder a idade, nem procurar defeitos minúsculos no corpo das outras mulheres e no seu próprio. Fez as pazes com o espelho e com todas as outras mulheres do mundo. Passou a gastar mais dinheiro com livros do que com tratamentos estéticos. Deixava sua filha subir em árvores, elogiava mais o talento para a matemática da menina do que seus lindos olhinhos azuis. Ela queria viver num mundo em que as TODAS as mulheres fossem deusas. Por isso resolveu começar pela sua casa.

Você é feminista?

Por Lu Monte, do blog http://diadefolga.com
Categoria: Opinião

O que feminismo significa pra você?

A palavra “feminismo” ganhou tantas conotações que fica difícil responder a essa pergunta com um simples “sim” ou “não”.

Sou feminista quando isso significa garantir às mulheres o direito de competir no mercado de trabalho em condições de igualdade com os homens. Ainda hoje, mulheres com as mesmas qualificações ganham, em média, 20% menos que os homens, no desempenho de funções idênticas. Isso é justo? Claro que não.

Também sou feminista quando o assunto é dividir as tarefas de casa e a criação dos filhos. A responsabilidade deve ser do casal, especialmente se ambos trabalham fora. O homem chega cansado em casa? Novidade: a mulher também! E ainda tem que ouvir “Querida, estou com fome, cadê meu jantar?” ou “Amor, o Júnior precisa de ajuda no dever de casa, vai lá”. Ora, pílulas! Largue o controle remoto, levante esse traseiro gordo do sofá e vá ajudar sua parceira!

Odeio quando algum engraçadinho atribui o mal-humor de uma mulher “àqueles dias”. Uma ova! Mulheres têm razões tão boas quanto os homens para ficarem irritadas e não precisam da condescendência masculina. A biologia não é culpada pelos males do mundo e, certamente, não é culpada pelos aborrecimentos cotidianos - talvez a culpa seja sua, querido.

Mas-porém-contudo-todavia, estou a léguas de distância de pregar “a igualdade dos sexos”. Não, não somos iguais aos homens! Temos nossas necessidades, fraquezas, preferências - e eles têm as deles.

Não quero ter a obrigação de gostar de futebol, saber tudo sobre carros ou acompanhar o cara na bebida - para isso, ele tem seus amigos, Da mesma forma, não exijo que o sujeito saiba tudo sobre as últimas tendências da moda, goste de passear no shopping ou repare na cor do meu esmalte (mas, se eu cortar quatro palmos de cabelo e ele não notar, reclamo mesmo).

Gosto de ouvir um elogio ao meu vestido, ter a porta do carro aberta para que eu entre e a cadeira do restaurante puxada. Aprecio a gentileza e recuso-me a acreditar que cavalheirismo é coisa do tempo dos nossos avós. Detesto ser protegida como se fosse um bibelô de porcelana, mas vou achar muito estranho se o cara me tratar da mesma forma que trata os amigos do futebol.

Difícil encontrar o meio termo? Na verdade, não. Conheço homens que acertam em cheio. Não precisa ser PhD (mas não tenho a receita do que é necessário - afinal, isso é com eles).

Todo esse papo começou porque me lembrei do site The Feminist eZine. O site informa que contém 1001 links feministas e outros temas interessantes. Entre os tópicos, há títulos instigantes como ciberfeminismo, feminismo doméstico e ecofeminismo. Se você entende a língua do Bardo, vale a pena marcar o site entre os Favoritos do seu navegador ler um artigo ou outro de vez em quando.

E aí? Será que sou feminista? E você, é?

Imagem: quinn.anya.