Julgamento Especial no STF: anencefalia

Hoje, acontecerá no Supremo Tribunal Federal (STF), um julgamento importante para as brasileiras. Será colocada em pauta a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54 (ADPF 54), que discute a possibilidade das gestantes decidirem livremente se desejam, ou não, interromper a gravidez quando houver o diagnóstico de anencefalia.

A Rádio Justiça transmitirá o julgamento a partir das 09:00 horas.

Já escrevi dois textos sobre o assunto:

O julgamento interrompido: aborto e anencefalia. Nesse texto explico alguns detalhes da ação e traço uma linha do tempo do caso desde que chegou ao STF, em 2004.

Desde 1989, pedidos de interrupção da gravidez em casos de anencefalia chegam ao judiciário brasileiro. A maioria dos juízes concedeu as mulheres esse direito, mas decisões em sentido inverso desequilibravam a jurisprudência. Além dos obstáculos para conseguir realizar o procedimento nos hospitais, mesmo com a autorização judicial em mãos. Aborto no Brasil é crime e muitos médicos tem medo de realizar o procedimento. Portanto, recorre-se ao STF para colocar um ponto final nesse caso da anencefalia.

Vale sempre lembrar que nenhuma mulher será obrigada a interromper uma gravidez com feto anencéfalo. Se a decisão do STF for favorável, todas as mulheres que se encontrarem nesse difícil momento da vida, poderão escolher levar a gravidez adiante ou não. Sem precisar de uma autorização judicial para isso.

Foto de Helio Mota, no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

O STF e a antecipação do parto de anencéfalo. Nesse texto explico algumas questões médicas e jurídicas controversas que permeiam os casos de anencefalia, como a definição de morte cerebral, transplante de órgãos e o direito a sucessão.

Tanto o advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que provocou o STF; quanto o voto do relator ministro Marco Aurélio Mello, consideram que nos casos de anencefalia não há uma situação de aborto, mas de antecipação terapêutica do parto. Porque se está comprovada a morte cerebral, não há atentado contra a vida.

É importante lembrar que as mulheres que se veem nessa situação, com uma gravidez de feto anencéfalo, em sua grande maioria desejaram muito ter esse filho. Porém, o diagnóstico por meio de uma ultrasonografia, realizada nos primeiros meses de gestação, acaba sendo um atestado de óbito.

Haverá mulheres que levarão a gravidez adiante e farão do nascimento de seu bebê um evento especial, mesmo que a etapa final seja o cemitério. Porém, há mulheres que não suportam esse sofrimento, que serão torturadas por meses numa gravidez que pode gerar riscos a sua saúde. Todas as mulheres merecem respeito por suas escolhas.

A Gabi Bianco citou uma história muito especial no texto Severina tem que ser feliz de novo. E deixou bem claro um pensamento que também é meu:

Espero que ninguém mais precise passar pelo que passou Severina, que quis comprar uma roupa com touquinha para poder enterrar seu filho, para que na morte ele tivesse pelo menos uma parcela de dignidade. Também espero que as mulheres que queriam levar a gravidez de um feto anencéfalo até o fim sejam respeitadas em sua decisão. Mas a possibilidade de decisão deve existir – e deve ser sempre, sempre da mãe. Nunca de um juiz ou da igreja ou da pressão social. É a mulher que carrega o feto em seu ventre que deve escolher.

Conheça a história de Severina no documentário: Uma Vida Severina.

Acompanhe e compartilhe textos nas redes sociais utilizando as tags #AFavorDaVidaDasMulheres e #AnencefaliaSTF.

O ano começou, quais seus planos?

Chegou a hora de arregaçar as mangas e aceitar que o ano definitivamente começou. Tchau, Carnaval! Olá, mês de março batendo aí na porta. Hora de fazer planos para 2012. E nossa, como isso pode ser difícil.

Arrumar um novo emprego? Comprar um apartamento? Voltar a estudar? Terminar o trabalho de conclusão de curso? Estudar fotografia? Trocar de carro? Viajar para Europa? Começar uma rotina de exercícios? Aprender a costurar? Ter um filho? Adotar a bicicleta como meio de transporte? Levar uma vida mais ecológica? Fazer trabalho voluntário? Fazer terapia? Casar? Começar um blog?

É muito comum fazer planos e nem sempre cumprí-los. Para isso defina um como principal. E a partir dele pequenas metas.

Girassol. Foto de Matteo Angelino no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Sinto o peso dos 30 anos chegar num corpo que atualmente está sedentário e acima do peso. Meu plano não é fazer um dieta ou entrar na academia. É compreender meu corpo, conhecê-lo e respeitá-lo. Entrar em sintonia com o corpo e a alma. Porque ando num ritmo muito frenético, sem hora para dormir, sem rituais de aconchego corporal. Isso talvez inclua uma academia, ou caminhadas frequentas no calçadão, intercaladas com momentos de meditação. Ir aos médicos para ver se está tudo bem. O plano não é emagrecer. O objetivo até o final do ano é sentir que meu corpo está fisicamente bem, energizado e sem desconfortos.

Há alguns planos que surgem. O marido propôs uma viagem para Europa em setembro. Durante o planejamento, decidi aproveitar a limpeza de fim de ano nos armários e me desafiar. Até setembro não posso comprar nada que não seja de uso imediato. Não vou comprar roupas, sapatos, acessórios, livros, jogos e nem dvd’s. É hora de usar e abusar de tudo que tenho. A ideia é economizar dinheiro para a viagem e também voltar com uma mala a mais sem peso na consciência. Roupas, sapatos e acessórios deverão ser usados ao máximo. Os jogos de videogame serão devidamente zerados. A pilha de livros não lidos já está ao lado da cama e deverei fazer resenha de todos no meu blog.

Por mais que fazer planos seja uma atitude bacana para definirmos metas para a vida, lembre-se que cada ano deve começar leve. Sem grandes cobranças, mas com a alma desejando as mudanças e o corpo colocando-as em prática. Quando o cansaço ou a vontade de desistir bater, siga em direção ao sol. Não tem erro.

E você, há planos para 2012?

Bem vinda

- Oi, meu nome é Marina, sou publicitária, palhaça e moro na Suécia.

- Bem vinda, bem vinda, bem vinda, bem vinda. Seja bem vinda!

Vocês conhecem muito bem esse tipo de reação na lista e hoje o diálogo por aqui é com o próprio LuluzinhaCamp. Eu não me lembro de ter feito uma apresentação, talvez por ter sido muito no começo da lista e a maioria já se conhecia de outros camps da vida. Ou porque talvez a lista ainda não tivesse adquirido essa dinâmica que eu nunca havia visto funcionar.

Participo de algumas listas, umas morreram, outras se transformaram, outras são totalmente nonsense e outras são apenas classificados de qualquer coisa. Mas o que me chama a atenção no Luluzinha é a questão do respeito. Sim, é óbvio que temos briguinhas. É óbvio que temos desavenças e opiniões contrárias. É óbvio porque somos humanas. Estou longe de achar que o Luluzinha é um grupo de santas. O que eu acho bonito nisso é que existe um respeito – que eu adoraria entender de onde vem exatamente – que não deixa desgastar o ego de ninguém.

Primeiro eu achei que o motivo era porque éramos mulheres. Só que, assim que cheguei à Suécia, procurei o “Luluzinha” daqui. Mandei email pra lista, fiz o processo todo que elas pediam, cheguei a conversar inclusive com a moderadora (que estuda com meu namorado, não é uma pessoa tão longe assim). Quatro meses se passaram e eu nunca consegui entrar na lista. Eu sei que a discussão nesse caso é mais longa e que existem outras variáveis, como lista abandonada, lista cheia, xenofobia ou descaso das moderadoras. Mas fico com a conclusão de que não basta ser um grupo de mulheres.

Não descobri ainda a fórmula perfeita. Talvez seja mulheres + Brasil + moderadoras elegantes + paciência + seres humanos cheios de hormônios e neurônios. Ou talvez não tenha nada a ver com isso e só seja explicado pelas duas palavrinhas muito faladas na lista: “bem vinda”.

Filme: Os 3

Era uma tarde preguiçosa de quarta-feira. Depois de almoçar precisava matar o tempo até as 18h. Olhei rapidamente a lista de filmes no cinema do shopping e lá estava ‘Os 3′. Um boa surpresa. Um filme despretensioso que nos fala muito sobre as possibilidades que o amor encontra e que nós insistimos muitas vezes em negar ou não aceitar.

Cena do Filme Os 3.

Camila, Rafael e Cazé são três jovens estudantes que saíram de suas cidades pequenas e entediantes para morar em São Paulo. Se conhecem numa festa e decidem não se separar até o final do curso. Mas com uma condição: não pode rolar nada entre eles. E o filme existe justamente para mostrar o que acontece quando essa regra é quebrada. Sempre enchemos os relacionamentos de regras, tentamos fazer de tudo para que seja perfeito, mas somos imperfeitos e o bom é reconhecer isso. A trama, que envolve a participação em um reality show transmitido pela internet acoplado a um site de compras, serve apenas para amadurecer os personagens. Porque mesmo vivendo juntos, nem sempre somos totalmente verdadeiros.

Além de tudo, o filme questiona nossas formas limitadas de amar. Ao mostrar que o amor tem múltiplas possibilidades, que não precisamos acreditar que em fórmulas ou receitas, o importante é o desejo de estar junto. Um filme com poucos atores, mas muita sensibilidade.

 

Você quer sentar?

Você quer sentar?, ela perguntou. A senhora respondeu que não. Não seria nada demais essa cena se ela não acontecesse no metrô de Estocolmo, em plena hora de rush, com uma menina negra e uma senhora sueca. A questão aqui não tem nada a ver com o fato dela ser negra, mas com o fato de ser facilmente reconhecida como “não tipicamente sueca”. Aliás, os suecos possuem uma relação estranha com os “não suecos” pois, mesmo sem poder expressar qualquer coisa, há um sentimento generalizado de que os estrangeiros estão vindo para cá e tomando o lugar deles.

Mas o que me chamou – e muito – a atenção foi o fato de somente essa menina se prestar a oferecer o lugar. O metrô estava lotado e nenhuma outra pessoa se deu ao trabalho de ceder seu conforto para a senhora. Ninguém.

Continuei observando, de pé, até chegar o meu ponto de descida. Me posicionei perto da menina para poder descer e, mais uma vez, ela me ofereceu o lugar dela. Como uma pessoa educada deveria fazer. Como um ser humano deveria ser. Agradeci e expliquei que já ia descer no próximo ponto e fiquei lá, admirando, enquanto a menina calmamente fazia um rabo de cavalo. Quando acabou, olhou pra mim e eu soltei:

- You are pretty*

Mal sabia ela que não era do rabo de cavalo que eu estava falando.

 

*Em inglês, o verbo “are” pode se referir a “ser” ou “estar”. Ou seja, “você é bonita” ou “você está bonita”.

Mostre seu amor

Temos selinhos para o seu site ou blog.
Pegue o seu.

Blogroll

Page 1 of 1012345...10...Last »